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Pai e filho são presos pela Polícia Civil suspeitos de envolvimento na chacina de quatro cobradores em Icaraíma

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) prendeu, nesta terça-feira (18), três homens investigados por envolvimento na morte de quatro pessoas assassinadas em Icaraíma, no Noroeste do Paraná. O crime aconteceu em 5 de agosto de 2025 e, segundo a investigação, teria sido planejado e motivado por uma dívida relacionada à negociação de uma propriedade rural. Entre os presos estão Antonio Buscariollo, Paulo Ricardo Costa Buscariollo e Carlos Henrique Buscariollo. Os três tiveram mandados de prisão temporária cumpridos durante uma operação realizada pelo Núcleo de Investigação Qualificada (NIQ), com apoio do Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial (Tigre). Um quarto investigado, Carlos Eduardo Candido Buscariollo, já estava preso por tráfico de drogas.

Durante coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira, delegados da 7ª Subdivisão Policial (7ª SDP), de Umuarama, afirmaram que a investigação aponta para uma execução sumária e planejada. A Polícia Civil também voltou a descartar as hipóteses de tortura e cárcere privado. Segundo o delegado de Icaraíma, Thiago Andrade, os laudos periciais e a linha investigativa não indicam que as vítimas tenham sido torturadas antes de serem mortas.

“Não houve tortura e não houve cárcere privado”, afirmou o delegado durante a coletiva.

Quatro vítimas foram encontradas enterradas

As vítimas foram identificadas como Alencar Gonçalves de Souza, morador de Icaraíma, e os paulistas Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi e Diego Henrique Afonso. Os quatro desapareceram no dia 5 de agosto de 2025, depois de viajarem até Icaraíma para um encontro relacionado à cobrança de uma dívida. Durante as buscas, o veículo utilizado pelo grupo foi localizado enterrado em uma área rural do município. O automóvel apresentava marcas de disparos e outros vestígios que ajudaram a Polícia Civil a confirmar a suspeita de homicídio. Posteriormente, os corpos das quatro vítimas foram encontrados enterrados em uma vala na zona rural de Icaraíma.

Dívida é apontada como possível motivação

De acordo com a investigação, Alencar Gonçalves de Souza tentava receber um valor relacionado à negociação de uma propriedade pertencente à família Buscariollo. Diante das dificuldades para recuperar o dinheiro, ele teria procurado ajuda de Robishley, Rafael e Diego, que viajaram de São José do Rio Preto (SP) até Icaraíma. Segundo a Polícia Civil, os quatro realizaram uma cobrança presencial a Antonio Buscariollo. Depois do encontro, Antonio teria comunicado Carlos Henrique sobre a situação. A investigação aponta que Carlos Henrique teria assumido papel central no episódio e determinado as execuções. Para os investigadores, os elementos reunidos ao longo de aproximadamente um ano indicam que o crime não foi resultado de uma discussão ocasional, mas de uma ação previamente planejada.

Polícia investiga participação de cada suspeito

Os mandados cumpridos nesta terça-feira são de prisão temporária, inicialmente pelo período de 30 dias. A Polícia Civil pretende utilizar esse período para aprofundar as investigações, realizar novos interrogatórios, confrontar versões e ouvir novamente testemunhas que possam contribuir para o esclarecimento do caso. Durante a operação, nenhuma arma foi localizada. Os policiais, porém, apreenderam aparelhos celulares que serão submetidos à análise. O conteúdo dos dispositivos poderá revelar novas informações sobre a organização e a execução do crime. A Polícia Civil ainda investiga quem teria participado diretamente das mortes, quem teria ordenado os assassinatos e qual teria sido a função de cada um dos suspeitos.

Medo teria dificultado investigação

Outro ponto destacado pelos investigadores durante a coletiva foi o suposto poder de intimidação atribuído à família Buscariollo. A Polícia Civil afirma ter reunido informações sobre possíveis vínculos de integrantes da família com crimes como tráfico de drogas e armas, contrabando e descaminho. Segundo os delegados, esse contexto teria contribuído para que algumas testemunhas demonstrassem medo de colaborar com as investigações. Com a prisão dos principais suspeitos, a expectativa da Polícia Civil é conseguir avançar na coleta de depoimentos e esclarecer informações que ainda permanecem pendentes.

Suspeitos foram presos em São Paulo

Como os mandados foram cumpridos no estado de São Paulo, os presos deverão passar inicialmente por audiência de custódia naquele estado. Ainda não há definição sobre uma eventual transferência para Umuarama. De acordo com a Polícia Civil, os investigados poderão permanecer custodiados em outras unidades do sistema prisional durante o período da prisão temporária. A prioridade, segundo os investigadores, é manter os suspeitos afastados das testemunhas e evitar qualquer possibilidade de interferência na produção das provas. O inquérito ainda não foi concluído. A Polícia Civil considera os próximos 30 dias importantes para a continuidade das diligências e para esclarecer definitivamente a participação de cada investigado na chacina que chocou Icaraíma e toda a região.

As informações são do portal O BENDITO.